O jovem não gosta de ler ou a literatura não mais fascina essa geração?

O jovem no Brasil lê pouco, isso é fato. Pesquisas mostram ano após ano que apesar de um, ainda que tímido, mas gradual aumento nos índices de leitura entre brasileiros, os números ainda são bem abaixo das expectativas. Mas será que o jovem brasileiro não gosta de ler textos literários?

Segundo o último levantamento do Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano. O estudo revelou ainda que pelo menos 30% da população nunca comprou um livro.

A pesquisa apontou ainda apontou que leitores no Brasil representam 56% da população. As mulheres são maioria: 59% são leitoras, enquanto entre os homens 52% são leitores. Mas quem mais lê no Brasil hoje são os jovens entre 18 e 24 anos.

O jovem gosta de ler?

Em outro estudo do Pró-Livro, constata-se que 80% dos jovens com idade entre 11 e 17 anos leem para cumprir tarefas escolares. Do total, a grande maioria acha tedioso ter que ler e diz que o fazem por obrigação.

O estudo aponta ainda que, de um total de 24,3 milhões de jovens na mesma faixa de idade, estima-se que 6,5 milhões não leram nenhum livro em um período de 3 meses.

Na contramão desses números, segundo a pesquisa, 4,8 milhões de adolescentes leem literatura porque gostam.

As bibliotecas

Para alguns especialistas, o número de bibliotecas no Brasil também é um dos fatores para esse baixo índice de leitura.

Segundo o IBGE, o Brasil possui uma biblioteca púbica para cada 30 mil habitantes, em média. Nos Estados Unidos, a proporção é de 1 para 19 mil. Na República Tcheca, que tem o melhor índice do mundo, a proporção é de 1 para cada 1.970 habitantes.

A leitura na era digital

Com a expansão em grande escala da digitalização, os jovens têm cada vez mais acesso à leitura. Mas isso não necessariamente significa um aumento da leitura de textos literários entre esse grupo.

Para alguns especialistas, a digitalização pode oferecer bons e ruins resultados. Isso porque, uma vez que o jovem tem acesso a uma gama muito abrangente de conteúdo, ele pode simplesmente não filtrar bons conteúdos e acabar ficando preso ao que mais entrete do que educa.

Como bem disse em matéria ao jornal Gazeta do Povo, Maria Ângela Borges Salvadori, Doutora em Educação e professora da Universidade de São Paulo (USP):

“Na internet, jovens e adultos acessam conteúdos bons e ruins, mas se bem orientados, podem ler livros riquíssimos, de qualquer lugar e no ritmo que considerarem melhor. Porém, se não tiveram uma boa formação para leitura na infância, se não aprenderam a ler por prazer, irão ler superficialmente na Internet e buscar bobagens”.

Protagonismo jovem

Alguns estudiosos mais otimistas apostam num crescente protagonismo jovem no mundo da literatura. Para eles, o grande sucesso de escritores focados nesse público evidencia a constatação de que os jovens estão lendo cada vez mais.

Mas escrita literária ainda seduz os jovens? Sim, ainda seduz. O grande problema do mundo literário na atualidade, talvez decorra do declínio qualitativo do que é oferecido aos jovens. Atualmente, em alguns meios de influência, há uma exacerbada valorização da má literatura. A literatura clássica, empolgante e rica está cada vez mais perdendo espaço para o que é, segundo o mercado, “mais vendável”.

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